Pesquisar

Comer, Ouvir, Falar

Reabilitação da Comunicação e da Deglutição

Terapia da Fala e Ortodontia

Além da linguagem, a intervenção do Terapeuta da Fala incide também sobre as funções estomatognáticas: sucção, mastigação, deglutição, respiração e fala.

A intervenção sobre estas funções passa sobretudo pela reorganização neuromotora (modificação de padrões de movimento) e pela otimização da condição muscular das estruturas dinâmicas envolvidas nas mesmas, de forma a atingir o objetivo principal: uma função eficiente e equilibrada, tanto ao nível energético, como ao nível funcional.

O ponto de convergência entre a Terapia da Fala e a Ortodontia é encontrado exatamente no sistema estomatognático, uma vez que o Ortodontista intervém sobre as alterações estruturais das funções estomatognáticas, i.e., sobre as estruturas estáticas, como os dentes, a maxila e a mandíbula; e o Terapeuta da Fala intervém sobre as alterações funcionais, ou seja, da função, do seu padrão motor e das estruturas dinâmicas (músculos) envolvidas na mesma.

Ao longo dos anos, tem-se revelado fundamental a colaboração entre o Terapeuta da Fala e o Ortodontista, já que as funções e as estruturas estomatognáticas são inseparáveis e interdependentes.

Nesta perspetiva, uma função (respiração, sucção, mastigação, deglutição e/ou fala) que esteja alterada pode originar alterações ao nível da estrutura dentária e/ou óssea. Por outro lado, também uma alteração estrutural pode dar origem a padrões motores adaptados.

É importante frisar que as alterações estruturais podem ser congénitas, genéticas ou podem ser adquiridas ao longo do desenvolvimento do indivíduo.

Quanto às alterações das funções, as causas podem ir desde o tipo de alimentos que o indivíduo ingere ou a realização de hábitos orais nocivos (p.e. sucção da chupeta ou do dedo), até à presença de alterações estruturais.

O vídeo abaixo mostra o exemplo de um hábito oral que modifica a estrutura óssea e dentária da criança. Neste caso não se trata de uma função de sobrevivência, mas de um hábito oral que tem por base a função de sucção.

Em geral, quando existe uma alteração marcada na estrutura há uma forte probabilidade de existir alteração na função e vice-versa. Estas alterações podem manifestar-se através da produção incorreta ou substituição de sons da fala, de uma mastigação e/ou deglutição menos eficaz e dificuldades digestivas associadas, de um modo respiratório predominantemente oral, entre outros.

Neste ponto de vista, a cooperação e coerência entre o trabalho do Terapeuta da Fala e do Ortodontista favorecem a obtenção de estruturas e funções mais equilibradas e eficientes, com resultados mais duradouros e estáveis e com menor probabilidade de recorrência do problema.

Joana Santos • Terapeuta da Fala

Anúncios

Terapia da Fala no Adulto

A Terapia da Fala estuda e intervém nas perturbações da comunicação e da deglutição em todas as idades, tendo como objetivos essenciais a habilitação, recuperação ou compensação das competências necessárias ao desempenho das funções estomatognáticas (deglutição, respiração, mastigação, fala e sucção), melhorando a qualidade de vida do indivíduo.

A intervenção do Terapeuta da Fala na idade adulta, considerando jovem, adulto e idoso, incide principalmente nas áreas da respiração, voz, fala, linguagem, estética e deglutição (incluindo a mastigação).

agingface

As alterações subjacentes a estas áreas podem ter como causa uma patologia de base, como o Acidente Vascular Cerebral, Traumatismo Cranioencefálico, Esclerose Múltipla, Esclerose Lateral Amiotrófica, Doença de Parkinson, Doença de Alzheimer, outras demências ou doenças neurodegenerativas, cancros da cabeça e pescoço (incluindo a língua, palato, soalho da boca, faringe, laringe e tiroide), Paralisia Facial e Refluxo Gastroesofágico, ou podem ser desencadeadas pelo envelhecimento fisiológico (natural), devido à progressiva perda ou remoção de peças dentárias, à diminuição da força e resistência muscular, bem como da sensibilidade intraoral, e à perda de elasticidade e tonicidade da pele. Outras alterações, principalmente ao nível da voz, podem surgir devido aos hábitos alimentares, hábitos tabágicos e/ou etílicos, ao tipo de ocupação profissional e até ao estilo de vida e ansiedade.

A intervenção do Terapeuta da Fala é planeada após a avaliação cuidada do indivíduo e irá depender de diversos fatores, como a etiologia das alterações, o tipo de alterações e as características e necessidades pessoais e sociais do indivíduo. A intervenção deve ser personalizada para cada indivíduo e existem inúmeras abordagens disponíveis para as diferentes perturbações.

O Terapeuta da Fala pode intervir de forma direta, dependendo dos casos, através de uma intervenção miofuncional para relaxar, tonificar, fortalecer ou aumentar a mobilidade de determinadas estruturas orofaciais; através da estimulação sensoriomotora orofacial, como nos casos de disfagia ou paralisia facial; através da estimulação da linguagem e da fala; da implementação e treino de formas de comunicação aumentativa, quando a fala não é possível; entre muitas outras abordagens e técnicas de intervenção.

A sua intervenção pode ser também indireta, isto é, pode promover a melhoria das competências através de estratégias, adaptações ou da criação de circunstancias favoráveis à reabilitação. A intervenção indireta inclui, por exemplo, a orientação do utente e da sua família quanto ao seu problema e às estratégias que facilitam a comunicação e/ou a deglutição. No caso das perturbações da deglutição, podem ser adaptadas consistências, texturas e quantidades de alimento, e alterados utensílios e a postura durante a refeição.

A terapia indireta é da responsabilidade do Terapeuta da Fala e, geralmente, ocorre simultânea ou posteriormente à terapia direta.

Assim, a Terapia da Fala no adulto pode ir desde a atenuação de rugas faciais e equilíbrio estético da face e pescoço, até à reabilitação da deglutição em indivíduos que realizam alimentação por vias alternativas, ou à reabilitação da comunicação em indivíduos cuja compreensão ou a fala estão comprometidas por lesão neurológica.

O foco da intervenção centra-se na melhoria da qualidade de vida do utente e da sua família e, por isso, a “reabilitação” deve ser flexível e suprir as necessidades e interesses dos mesmos, tendo em consideração a condição clínica do utente.

Joana Santos • Terapeuta da Fala


Imagem de: http://hypescience.com

Disfagia Orofaríngea

Disfagia orofaríngea é o nome dado à dificuldade em deglutir os alimentos, que pode ser causada por uma ou várias alterações no mecanismo da deglutição e/ou por direcionamento incorreto do bolo, conduzindo-o para a via aérea (oral, nasal e/ou laríngea).

disfagia

Alguns dos sinais e sintomas mais comuns da disfagia incluem: deglutições repetidas de uma porção de bolo alimentar, tosse antes, durante ou após a deglutição, alteração da qualidade vocal após a deglutição, dificuldade ou desconforto respiratório, esforço durante a fase preparatória (mastigação), oral ou faríngea, escape de alimento pela cavidade oral ou nasal, aumento do tempo da refeição, infeções respiratórias (pneumonias) recorrentes, perda de peso e/ou desidratação, episódios de engasgo ou asfixia, sensação de “comida presa na garganta” e, por vezes, evitamento de determinados alimentos, consistências e até de eventos sociais.

As principais consequências da disfagia são a pneumonia de aspiração, desnutrição e perda de peso, desidratação e obstrução da via aérea.

A disfagia é frequente e, sobretudo quando é secundária a outra patologia, é responsável por uma taxa significante de mortalidade e morbilidade, diminuindo o potencial de reabilitação e a qualidade de vida e aumentando o tempo de internamento hospitalar e o custo dos cuidados de saúde associados.

Os estudos têm demonstrado que a prevalência desta patologia em fase aguda pós-AVC é de 30% (1); em pessoas com cancro da cabeça e pescoço após cirurgia e quimioterapia é de 50%(2), assim como em pessoas com doença de Parkinson; em pessoas com Alzheimer é de 28% (1), com Esclerose Múltipla de 80% (3), com Esclerose Lateral Amiotrófica de 29% e com Paralisia Bulbar a prevalência é de 89% (1).

A disfagia orofaríngea pode ter diversas causas, desde as alterações fisiológicas associadas ao envelhecimento natural, incoordenação na díade respiração-deglutição, refluxo gastroesofágico, défices de funcionamento do sistema nervoso central, lesão estrutural local, patologia muscular ou neuromuscular, agentes farmacológicos e doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC).

Na fase inicial  pós-AVC, a disfagia e a aspiração ocorrem essencialmente devido à diminuição do estado de alerta.

A aspiração é o evento mais preocupante na disfagia, pois há entrada de alimento na via aérea. A consequência mais frequente é a pneumonia de aspiração, uma infeção pulmonar que aumenta a degradação de proteínas e, consequentemente, o gasto de energia e as necessidades nutricionais do indivíduo. Esta condição clínica débil conduz naturalmente ao aumento do tempo de internamento hospitalar da pessoa com disfagia e à necessidade de maior intervenção terapêutica.

Na presença de sintomas como os descritos, o indivíduo deve ser avaliado por um Terapeuta da Fala, que despitará cuidadosamente qualquer alteração sensitiva, motora ou estrutural no processo de deglutição e planeará a intervenção mais adequada, de forma a normalizar esta função e, assim, melhorar o aporte nutricional do indivíduo e a sua qualidade de vida.

Joana Santos • Terapeuta da Fala


Bibliografia de base:

(1) Antonik, S. e Shaker, R. (2012) Disorders Causing Oropharyngeal Dysphagia. In Richter, J. e Castell, D. (2012). The Esophagus. Fifth Edition. Blackwell Publishing Ltd.

(2) Garcia-Peris, P., Paron, L., Velasco, C. et al. (2007). Long-term prevalence of oropharyngeal dysphagia in head and neck cancer patients: Impact on quality of life. Clin Nutr; 26; 710-717.

(3) Terre-Boliart, R., Orient-Lopez, F., et al. (2004). Oropharyngeal dysphagia in patients with multiple sclerosis. Rev Neurol; 39; 707-710.

Shaker, R. (2011). Management of Dysphagia in Stroke Patients. In Gastroenterology & Hepatology: Advances of GERD; Volume 7, Issue 5.

Imagem adaptada de: https://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/presentations/100222_1.htm

Deglutição

A deglutição (ato de deglutir, de engolir) consiste no “trânsito completo de material ingerido desde a boca até ao esófago, sem comprometer a via aérea” (Antonik, S. e Shaker, R., 2012). Assim, o mecanismo da deglutição assegura duas importantes funções: o transporte do bolo alimentar e a proteção da via aérea.

O ser humano deglute aproximadamente 600 vezes por dia – maioritariamente durante o período vígil e enquanto se alimenta e uma pequena parte, cerca de 50 vezes, durante o sono.

Em condições normais, a deglutição é um mecanismo que exige pouco esforço e, por isso, a complexidade do seu mecanismo pode passar despercebida. No entanto, em menos de 1 segundo, o processo de deglutição combina mecanismos de controlo neurológico central voluntário-induzido com controlo reflexo (ou involuntário) central e periférico que comandam cerca de 30 músculos ao longo do percurso da deglutição.deglutição2

O controlo neurológico central é necessário para garantir a contração ordenada dos músculos da boca, da faringe, do esfíncter esofágico superior e da porção superior do esófago.

Do ponto de vista funcional, a deglutição pode dividir-se em 4 fases: preparatória, oral, faríngea e esofágica. A preparatória e a oral são voluntárias e exigem que o indivíduo esteja consciente e desperto, enquanto a faríngea é essencialmente reflexa, ou seja, é desencadeada de forma automática como resposta a estímulos sensitivos.

A intervenção do Terapeuta da Fala nas perturbações da deglutição tem o seu limite na fase faríngea, ou seja, a única fase da deglutição em que não intervém diretamente é a esofágica, uma vez que as alterações inerentes à mesma requerem uma avaliação cuidada do médico gastrenterologista e, por vezes, tratamentos invasivos.

Durante a fase preparatória, o alimento mantém-se na cavidade oral, é modificado fisicamente através da mastigação e quimicamente pelo envolvimento da saliva, resultando num bolo com as características necessárias para um trânsito seguro através do trato aerodigestivo (essencialmente, a faringe).

O bolo é então posicionado sobre o dorso da língua e inicia-se a fase oral, durante a qual ocorrem contrações sequenciais da língua contra o palato (duro e mole), gerando uma onda de pressão que propulsiona o bola para a faringe.

Segue-se a fase faríngea, na qual ocorre o maior evento motor. A língua e a laringe movem-se para cima e para a frente, causando o encurtamento da faringe, a oclusão da via aérea e a abertura do esfíncter esofágico superior. Desta forma, o alimento é transferido para uma das quatro saídas possíveis – o esófago -, uma vez que as três restantes se encontram fechadas – as cavidades oral e nasal e a laringe. Durante este período, a respiração é inibida involuntariamente e os mecanismos de proteção da via aérea são ativados (aproximação das cordas vocais, descida da epiglote e subida e anteriorização da laringe). A apneia da deglutição dura entre 1 e 1,5 segundos e é mais frequente na expiração.

Finalmente, na fase esofágica, o bolo alimentar é conduzido até ao estômago por contrações involuntárias do esófago.

Joana Santos • Terapeuta da Fala


Bibliografia de base:

Diamant, N. (2012). Functional Anatomy and Physiology of Swallowing and Esophageal Motility. In Richter, J. e Castell, D. (2012). The Esophagus. Fifth Edition. Blackwell Publishing Ltd.

Antonik, S. e Shaker, R. (2012) Disorders Causing Oropharyngeal Dysphagia. In Richter, J. e Castell, D. (2012). The Esophagus. Fifth Edition. Blackwell Publishing Ltd.

Motricidade Orofacial

A Motricidade Orofacial (MOF, ou apenas MO) é a área da Terapia da Fala que estuda a musculatura e as funções da região oral (lábios, língua, bochechas), da face e do pescoço.

Nesta área, o foco de intervenção incide sobre as funções de respiração, sucção, mastigação, deglutição e fala (incluindo na última a voz, articulação, ressonância e fluência) e o seu objeto de trabalho é a musculatura envolvida nas mesmas.

face

O Terapeuta da Fala especializado em MOF é responsável pelo estudo científico, prevenção, avaliação, diagnóstico e tratamento de pessoas com alteração destas funções e também pode atuar na estética facial.

Nesta área, como em outras, o Terapeuta da Fala pode intervir em parceria com outros profissionais de saúde, como médicos dentistas, médicos de outras especialidades, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, enfermeiros e psicólogos.

Joana Santos • Terapeuta da Fala


Bibliografia de base:

Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (2013). Respostas para Perguntas Frequentes na Área de Motricidade Orofacial. São Paulo.

Imagem de: http://anatomiaufpb.blogspot.pt/2013/11/aula-anatomia-facial.html

Dicas para Comunicar com a Pessoa com Afasia

Na maioria dos casos, a pessoa com afasia tem intenção comunicativa, sabe o que pretende, tem opiniões formadas, ideias e sentimentos que quer transmitir, mas não é capaz de o fazer de forma natural, como antes da lesão cerebral.

Por dificuldades na compreensão e/ou na expressão, a comunicação entre a pessoa com afasia e os seus familiares e amigos torna-se menos eficaz. Assim, a afasia – e as dificuldades que dela advêm – cria uma barreira comunicativa entre o utente e os seus próximos, dificultando a manutenção de relações interpessoais saudáveis e a formação de novas relações.

De forma a facilitar a comunicação entre a pessoa com afasia e os seus parceiros comunicativos, o Terapeuta da Fala deve fornecer algumas estratégias que tornem este processo mais eficaz e permitam reduzir o isolamento social, tão comum na pessoa com afasia.

Se tem um familiar, amigo ou conhecido com afasia, alguns pontos-chave que deve ter em consideração são:

  • Devido à lesão neurológica, a pessoa com afasia pode ter dificuldade em manter o foco de atenção. – Chame a sua atenção antes de iniciar a conversa e reduza o ruído de fundo ou outros elementos distrativos do ambiente.
  • Após a lesão cerebral, os processos neurológicos envolvidos no processamento/compreensão da fala são mais morosos e, por isso, o tempo de latência entre a pergunta que colocou e a resposta da pessoa com afasia pode ser maior do que o habitual. – Seja paciente, pergunte uma coisa de cada vez e aguarde uma resposta.
  • Pela mesma dificuldade na receção da mensagem auditiva, se falar muito rápido, com um discurso complexo, descontextualizado e sem pausas, este processo pode tornar-se ainda mais exigente e desmotivador para a pessoa com afasia. – Utilize um discurso simples e fale pausadamente, mas sem exagerar. Repita a informação, se for necessário.
  • Quanto mais pistas (auditivas, visuais, táteis, do ambiente, etc), mais fácil se torna a compreensão da informação pela pessoa com afasia. – Fale de frente para a pessoa, utilize gestos, desenhos, esquemas, escreva palavras-chave, aponte objetos, fotografias ou pistas do meio envolvente, reforce as palavras mais importantes ou tente explicar por outras palavras.
  • Por vezes, a pessoa com afasia pode transmitir uma ideia ou decisão que não pretende, por exemplo, respondendo “não” quando queria dizer “sim”. Para garantir que a comunicação é eficaz, ambos devem ter a certeza que estão a ser compreendidos e a compreender. – Confirme o tópico e a resposta da pessoa, coloque questões de sim/não, escreva hipóteses de resposta e peça-lhe para apontar, fazer gestos ou, se possível, escrever.
  • A pessoa com afasia não tem problemas auditivos, é inteligente e tem a maturidade que tinha antes da lesão neurológica, no entanto, enfrenta agora barreiras neurofisiológicas que tornam a comunicação numa atividade mais exigente e menos fluída. – Tente não elevar a intensidade da sua voz, não infantilizar e não fazer de conta que entendeu.

afasia5

Joana Santos • Terapeuta da Fala


Bibliografia de base:

American Stroke Association (2004). Talking Tough? Stroke Connection; Maio/Junho.

Imagens de: https://www.youtube.com/watch?v=hTh86NoQh7Q (vídeo recomendado)

Afasia

A afasia é uma perturbação da linguagem que afeta a capacidade de comunicar, sem afetar a inteligência do indivíduo. Esta pode comprometer a capacidade de falar e de compreender os outros, mas também de ler e escrever.

afasia

Do ponto de vista funcional, a afasia é uma perturbação da comunicação que mascara as competências do indivíduo. Em muitos casos, o indivíduo não é capaz de expressar as suas ideias, opiniões, necessidades e sentimentos, apesar de saber o que afasia2pretende.

Na maioria dos casos, a afasia é causada por uma lesão do hemisfério cerebral esquerdo, na sequência de um Acidente Vascular Cerebral. No entanto, existem outras causas possíveis, como cancro, doenças neurológicas progressivas e traumatismo cranioencefálico.

O Terapeuta da Fala é o profissional de saúde responsável pela reabilitação da pessoa com afasia, tendo como principal objetivo a otimização da comunicação entre o indivíduo e os seus interlocutores e, consequentemente, a melhoria da sua qualidade de vida, através da estimulação das competências linguísticas e da orientação do utente e família para uma comunicação eficaz.

Existem diferentes tipos de afasia, consoante o quadro de alterações linguísticas apresentado. No primeiro contacto, o Terapeuta da Fala avalia as competências linguísticas do indivíduo, estabelece o diagnóstico e planeia a sua intervenção, de forma a colmatar os défices comunicativos. Algumas das competências avaliadas são a compreensão auditiva e escrita, a capacidade de nomear e repetir palavras e o discurso espontâneo do indivíduo. No caso do AVC, a intervenção deve ser iniciada o mais cedo possível, uma vez que a maior parte da recuperação neurológica ocorre nos primeiros três meses de evolução.

Joana Santos • Terapeuta da Fala


Bibliografia de base:

Papathanasiou, I., Coppens, P., & Potagas, C. (2013). Aphasia and Related Neurogenic Communication Disorders, ix–493.

Teasell, R., & Hussein, N. M. M. M. (2014). Brain Reorganization, Recovery and Organized Care. Stroke Rehabilitation Clinician Handbook 2014, 1–41.

Acidente Vascular Cerebral (AVC)

O AVC é causado por uma interrupção no fornecimento de sangue ao cérebro, geralmente devido à rutura (AVC hemorrágico) ou obstrução (AVC isquémico) de um vaso sanguíneo. Esta “quebra” impede o fornecimento de oxigénio e nutrientes, danificando o tecido cerebral. É uma situação de emergência médica e todos os doentes devem ser observados num hospital.avc

O sintoma mais comum do AVC é fraqueza súbita ou dormência da face, braço ou perna, mais frequentemente num lado do corpo. Outros sintomas podem incluir confusão, dificuldade em falar ou entender os outros, dificuldades de visão com um ou os dois olhos, dificuldade em andar, tonturas, perda de equilíbrio ou coordenação motora, forte dor de cabeça sem causa aparente, desmaio ou perda de consciência.

As consequências do AVC dependem da parte do cérebro danificada e da gravidade da lesão e  podem ser leves a graves e permanentes ou temporárias. Estabelecem-se de forma aguda e permanecem por mais de 24 horas, podendo conduzir à morte.

O AVC é, em Portugal, a primeira causa de mortalidade e morbilidade e é responsável por cerca de 25 000 internamentos anualmente, estimando-se que a sua incidência continue a aumentar devido ao aumento da esperança média de vida e, consequentemente, ao crescimento da população idosa.

A presença de danos neurológicos pode originar défices ao nível das funções motoras, sensoriais, emocionais, cognitivas e linguísticas.

Os défices motores são caracterizados por paralisias completas (hemiplegia) ou parciais/incompletas (hemiparésia) no hemicorpo oposto ao local da lesão que ocorreu no cérebro.Imagem3

O AVC pode dificultar também a alimentação do doente, devido a consequências neuromotoras que comprometem o mecanismo da deglutição e a paralisia facial.

Os défices neurológicos (diminuição dos reflexos protetores, disfagia, diminuição do nível de consciência) e/ou procedimentos de diagnóstico (ventilação mecânica, cateterismo, entre outros) causam muitas vezes complicações infeciosas, que podem prolongar o tempo de internamento.

Os doentes com défices persistentes necessitam de diagnóstico, cuidados urgentes e cuidados de reabilitação.

A reabilitação deve iniciar-se precocemente após o AVC e a sua intensidade e duração devem ser estabelecidas para cada doente. O prognóstico funcional (recuperação das funções alteradas pela lesão cerebral) depende do tipo, extensão, localização e gravidade da lesão, e é necessário ter em consideração que a recuperação é afetada não apenas pelas limitações, mas também pela motivação do doente.

O Terapeuta da Fala tem um papel determinante na reabilitação das competências comunicativas e na deglutição do indivíduo, identificando os principais défices e as capacidades e estabelecendo um plano de intervenção personalizado que tem como objetivo central a melhoria da qualidade de vida do utente. Algumas das perturbações comunicativas mais comuns após o  AVC são a afasia, a disartria e a apraxia, podendo existir concomitância de perturbações. Quanto à alimentação, a disfagia representa também umas das consequências mais preocupantes do AVC, afetando a proteção da via aérea durante a deglutição e, consequentemente, diminuindo o aporte nutricional e de hidratação do indivíduo.

Joana Santos • Terapeuta da Fala


Bibliografia de base:

Direção Geral de Saúde (2003). Circular Normativa Nº 09/DGCG: a dor como 5º sinal vital. Ministério da Saúde/ Direção Geral da Saúde.

European Stroke Organization (2008). Recomendações para o Tratamento do AVC. The European Stroke Organization (ESO) Executive Committee and the ESO Writing Committee.

World Health Organization. (2003) The World health report: Shaping the future.

Menoita, E. (2012). Reabilitar a Pessoa Idosa com AVC. Contributos para um Envelhecer Resiliente. Loures: Lusociência.

Terapia da Fala

A Terapia da Fala é uma área da saúde relativamente recente. Surgiu há cerca de 70 anos, por união dos profissionais que tratavam soldados vindos da 2ª Guerra Mundial com lesões maioritariamente na cabeça. O interesse pela comunicação, naquela altura, era especialmente por parte dos neurologistas, cirurgiões dos ouvidos, nariz e garganta e alguns professores.

Atualmente, o Terapeuta da Fala é o profissional de saúde responsável pela prevenção, avaliação, intervenção e estudo científico das perturbações da comunicação humana, contemplando todas as funções associadas à compreensão e expressão da linguagem oral e escrita, mas também outras formas de comunicação não verbal.

O Terapeuta da Fala é responsável também pelas perturbações da deglutiçãoesophagus_lymph2passagem de alimento desde a boca até ao esófago, assegurando a proteção da via aérea -, incidindo de forma direta e/ou indireta sobre as estruturas e processos fisiológicos envolvidos nesta função.

O Terapeuta da Fala avalia e intervém em indivíduos de todas as idades, desde recém-nascidos a idosos, e tem por objetivo otimizar as competências comunicativas e/ou o processo de deglutição do indivíduo, melhorando, assim, a sua qualidade de vida.

Joana Santos • Terapeuta da Fala


Bibliografia de base:

American Speech-Language-Hearing Association (2007). Scope of Practice in Speech-Language Pathology [Scope of Practice]. Disponível em www.asha.org/policy.

Enderby, P. e Emerson, J. (1996). Speech and language therapy: does it work? BMJ; 312: 1655-58

Site no WordPress.com.

EM CIMA ↑