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Reabilitação da Comunicação e da Deglutição

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AVC

Pneumonia de Aspiração

A Pneumonia de Aspiração é a infeção respiratória causada pela entrada (aspiração) de alimentos e/ou saliva para os pulmões. A aspiração ocorre, em larga medida, devido a alterações na deglutição (Disfagia) secundárias a Acidente Vascular Cerebral, Doença de Parkinson, Demência, Doença do Refluxo Gastroesofágico e Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica. Algumas alterações decorrentes do envelhecimento, como a perda de dentes, a diminuição da massa muscular, da sensibilidade orofaríngea e da elasticidade dos tecidos, e a diminuição das reservas funcionais e da capacidade de resposta imunológica, predispõem a pessoa idosa à Pneumonia de Aspiração.

Devido à semelhança dos seus sintomas com os da Pneumonia adquirida na comunidade (p.ex. febre, tosse com expetoração e dor no peito), a Pneumonia de Aspiração é frequentemente subdiagnosticada, reincidindo quando a causa da aspiração não é tratada.

Nos últimos anos tem sido associada a elevadas taxas de reinternamento hospitalar, ao aumento da duração dos internamentos e da mortalidade, bem como à diminuição da qualidade de vida e ao aumento dos custos em cuidados de saúde.

Os principais fatores de risco associados à Pneumonia de Aspiração são a presença de bactérias patogénicas na cavidade oral e de disfagia orofaríngea e a malnutrição. Outros aspetos como a dependência para a alimentação e para a higiene oral, a polimedicação e a presença de sonda nasogástrica têm sido considerados também como fatores de risco significativos. Devido ao carácter modificável de alguns dos fatores, é possível prevenir esta doença tão prevalente na população idosa e em lares de idosos.

Assim, a intervenção deverá ser multidisciplinar, procurando identificar e tratar precocemente a tríade: disfagia, malnutrição e patologia da cavidade oral.

O Terapeuta da Fala é responsável pela avaliação, diagnóstico, tratamento e gestão do doente com disfagia e risco de aspiração. No entanto, o indivíduo deve ser acompanhado por uma equipa multidisciplinar (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e cuidadores formais e informais) consciente e capacitada quanto às estratégias de alimentação e às técnicas de reabilitação mais adequadas às suas necessidades. 

Joana Santos • Terapeuta da Fala

 


Bibliografia de base:

Marik PE. Aspiration Pneumonitis and Aspiration Pneumonia. N Engl J Med. 2001;344(9):665-671. doi:10.1056/nejm200103013440908

Ebihara S, Sekiya H, Miyagi M, Ebihara T, Okazaki T. Dysphagia, dystussia, and aspiration pneumonia in elderly people. J Thorac Dis. 2016;8(3):632-639. doi:10.21037/jtd.2016.02.60

 

Acidente Vascular Cerebral (AVC)

O AVC é causado por uma interrupção no fornecimento de sangue ao cérebro, geralmente devido à rutura (AVC hemorrágico) ou obstrução (AVC isquémico) de um vaso sanguíneo. Esta “quebra” impede o fornecimento de oxigénio e nutrientes, danificando o tecido cerebral. É uma situação de emergência médica e todos os doentes devem ser observados num hospital.avc

O sintoma mais comum do AVC é fraqueza súbita ou dormência da face, braço ou perna, mais frequentemente num lado do corpo. Outros sintomas podem incluir confusão, dificuldade em falar ou entender os outros, dificuldades de visão com um ou os dois olhos, dificuldade em andar, tonturas, perda de equilíbrio ou coordenação motora, forte dor de cabeça sem causa aparente, desmaio ou perda de consciência.

As consequências do AVC dependem da parte do cérebro danificada e da gravidade da lesão e  podem ser leves a graves e permanentes ou temporárias. Estabelecem-se de forma aguda e permanecem por mais de 24 horas, podendo conduzir à morte.

O AVC é, em Portugal, a primeira causa de mortalidade e morbilidade e é responsável por cerca de 25 000 internamentos anualmente, estimando-se que a sua incidência continue a aumentar devido ao aumento da esperança média de vida e, consequentemente, ao crescimento da população idosa.

A presença de danos neurológicos pode originar défices ao nível das funções motoras, sensoriais, emocionais, cognitivas e linguísticas.

Os défices motores são caracterizados por paralisias completas (hemiplegia) ou parciais/incompletas (hemiparésia) no hemicorpo oposto ao local da lesão que ocorreu no cérebro.Imagem3

O AVC pode dificultar também a alimentação do doente, devido a consequências neuromotoras que comprometem o mecanismo da deglutição e a paralisia facial.

Os défices neurológicos (diminuição dos reflexos protetores, disfagia, diminuição do nível de consciência) e/ou procedimentos de diagnóstico (ventilação mecânica, cateterismo, entre outros) causam muitas vezes complicações infeciosas, que podem prolongar o tempo de internamento.

Os doentes com défices persistentes necessitam de diagnóstico, cuidados urgentes e cuidados de reabilitação.

A reabilitação deve iniciar-se precocemente após o AVC e a sua intensidade e duração devem ser estabelecidas para cada doente. O prognóstico funcional (recuperação das funções alteradas pela lesão cerebral) depende do tipo, extensão, localização e gravidade da lesão, e é necessário ter em consideração que a recuperação é afetada não apenas pelas limitações, mas também pela motivação do doente.

O Terapeuta da Fala tem um papel determinante na reabilitação das competências comunicativas e na deglutição do indivíduo, identificando os principais défices e as capacidades e estabelecendo um plano de intervenção personalizado que tem como objetivo central a melhoria da qualidade de vida do utente. Algumas das perturbações comunicativas mais comuns após o  AVC são a afasia, a disartria e a apraxia, podendo existir concomitância de perturbações. Quanto à alimentação, a disfagia representa também umas das consequências mais preocupantes do AVC, afetando a proteção da via aérea durante a deglutição e, consequentemente, diminuindo o aporte nutricional e de hidratação do indivíduo.

Joana Santos • Terapeuta da Fala


Bibliografia de base:

Direção Geral de Saúde (2003). Circular Normativa Nº 09/DGCG: a dor como 5º sinal vital. Ministério da Saúde/ Direção Geral da Saúde.

European Stroke Organization (2008). Recomendações para o Tratamento do AVC. The European Stroke Organization (ESO) Executive Committee and the ESO Writing Committee.

World Health Organization. (2003) The World health report: Shaping the future.

Menoita, E. (2012). Reabilitar a Pessoa Idosa com AVC. Contributos para um Envelhecer Resiliente. Loures: Lusociência.

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